21 de maio de 2021
Estou aqui olhando para as fotos de nós dois e não sei nem por onde começar. Então vou começar pelo início.
São Paulo. 21 de maio de 2021. Eu não sabia o que ia encontrar. Só sabia que quando te conheci, alguma coisa mudou dentro de mim. Depois veio o Rio — aquela piscina infinita no terraço com o Pão de Açúcar ao fundo, a cachoeira onde a gente se beijou em cima das pedras descalços, o seu rosto embaixo d'água rodeado de peixes com o sorriso mais lindo que já vi na minha vida. Tirei fotos porque nunca quis esquecer nada disso.
Depois fui para São Luís. Duas vezes. Porque uma não foi suficiente. Te vi parada naquelas pedras no pôr do sol com os braços abertos como se o céu todo fosse seu. A gente escreveu nossos nomes na areia. Conheci sua família. Sentei no Natal com sua mãe. Fui recebido no seu mundo e nunca tratei isso como coisa simples — nem por um segundo.
Você voltou para a América comigo em julho de 2022 e a gente continuou construindo. As praias da Carolina do Norte. A Times Square no frio de rachar com Giovanna enrolada como se fosse sobreviver ao Ártico. O entardecer à beira d'água enquanto você descobria o que é sentir frio de verdade. E a gente dividindo uma margarita com dois canudos que nem dois idiotas apaixonados.
E depois veio o dia que tornamos tudo oficial. Na praia de Kitty Hawk, ao entardecer, com o oceano e o cais atrás de nós, a gente se casou. Foi simples. Foi lindo. Foi exatamente do jeito que deveria ser.
E já casados, em agosto de 2024, a gente voltou ao Brasil. Minha terceira vez em São Luís. E a gente foi até os Lençóis Maranhenses — sentamos juntos no meio das dunas como se mais nada no mundo existisse.
Eu sei que as coisas estão difíceis agora. Sei que a situação do emprego está pesando e te fazendo sentir que o chão não é firme. Não vou fingir que isso não é nada — é real e eu entendo por que te assusta. O que preciso que você saiba é que eu acordo todo dia e luto. Procuro, me candidato, insisto, porque desistir de nós não é algo que eu seja capaz de fazer.
Quando você for ao Brasil em junho, leve tudo isso com você. Leve a cachoeira. Leve as dunas. Leve a areia com nossos nomes. Leve cada praia, cada pôr do sol, cada foto ridícula que a gente tirou junto. E depois volta para mim. Não porque a vida aqui está perfeita agora — mas porque o que a gente tem é real, e vale a pena lutar por isso.
Você é a melhor coisa que já entrou na minha vida, Ana Maria. Isso não mudou. Não vai mudar.
Com todo meu amor,
Kevin
Cada momento, cada lugar, cada nós